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DO PAREDÃO AO DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA… PREPARADOS PARA MUDAR?

ERA MESMO O MOMENTO DA DEGOLA???
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MAIS DO MESMO QUE NADA?!?! ADAPTE-SE AO NOVO E USUFRUA…
April 10, 2017

E lá estava eu, às 06:00 da manhã de segunda-feira, acordando, olhando para o lado, meu celular que sempre me despertava, pensei: o que vou fazer agora?

Continuar a dormir? Mas como, se o que fiz nos últimos 19 anos fora me levantar, tomar um banho, café, ligar o carro e ir para uma mina em operação, iniciando mais uma semana de desafios, cumprindo metas, estimulando minha equipe e me alimentando dessa fonte de energia infindável?!?!... Fechei os olhos, mas, dormir como?!?!... O corpo não obedecia e só queria me empurrar para cima, fazer algo, afinal de contas, nosso lema é produzir...

Foram alguns dias tentando me adaptar à nova rotina... Pra variar, na primeira semana fiz uma lista de pendências que eu julgava serem importantes para minha nova realidade, “NOVA VIDA” como eu mesmo defini na primeira página da agenda. Eu tinha inúmeras preocupações naquele momento, um deles era demonstrar que aquele momento crítico de perda do emprego não tinha me afetando e eu continuava com energia e disposição... Apesar de tentar demonstrar isso para as pessoas, eu mesmo não tinha tanta convicção disso... Mas, a vida deveria seguir...

A lista era bem extensa, incluía itens pessoais como retomar natação e musculação, organizar minhas tintas de pigmentos minerais, concluir as etapas demissionais (exames médicos, homologar desligamento no ministério do trabalho, sacar FGTS e indenizações, seguro desemprego); itens relacionados à casa como organizar contar bancárias, regularizar conta de luz, consertar carro, computador; iniciar os contatos com minha “network”, entender como estava o mercado de trabalho e estudar sobre as possibilidades de negócio; estudar novas alternativas para a minha carreira, universidades, lado artístico, montar um negócio próprio. Nossa!!! Inúmeras possibilidades...

Mas uma coisa era certa, não queria voltar mais ao ambiente produtivo que vivenciei durante quase 20 anos de trabalho árduo, mas às vezes me perguntava se estava realmente convicto dessa ideia. Sabe aquele frio na barriga???... rsrsrs Ao mesmo tempo que pensava em mudar radicalmente minha trajetória na vida profissional, não conseguia estruturar uma estratégia de como executá-la efetivamente. Como partir para uma nova área, um novo negócio e abandonar anos de experiência acumulada?

Primeira semana se passa e não conseguira dormir sequer 3 horas consecutivas sem acordar e pensar na nova realidade. Acordava, virava de um lado pro outro, e ali permanecia por 1, 2 horas, em um misto de sono superficial com um cochilo consciente. O corpo doía, ombros, costas, cabeça, olhos ardiam, e o sono não vinha... um incômodo profundo e o coração meio que se apertava dentro do peito... Um misto de ânsia com inquietude.

No fim da primeira semana, já havia até feito reunião familiar para definir tarefas e responsabilidades nos moldes de gestão de processos e a principal tarefa era entender quais eram os limites de gastos mensais e adequá-los para a nova realidade de um ex gerente de operações de mina de uma empresa de grande porte. Só faltou criar os famosos KPI´s (Key Performance Indicators)... Mas eu tinha que fazer algo... de alguma forma... Este primeiro ato, foi realmente importante para que eu me mantivesse ligado e com atividades ao longo do dia, da primeira semana e dos próximos meses que se seguiriam. Mas fazer reunião familiar semanal, convenhamos, foi um exagero... Acho que minha família entendeu bem minhas intenções, espero...

O tempo passando, e nada de dormir bem, me perguntava o que estava acontecendo. Não tinha pressão por produção e nem que carregar um celular nos finais de semana pra onde eu fosse... Não tinha preocupações do tipo, acidentes envolvendo pessoas nas operações sobre minha responsabilidade e eu ainda não tinha conseguido uma boa noite de sono profundo, daquelas que a gente acorda disposição de um leão faminto em busca de sua caça...

Numa dessas noites, acordei com o sinal de mensagem no celular e resolvi averiguar... eram mensagens atrasadas, nada significativo e resolvi dar uma olhada nas redes sociais pra passar o tempo. Foi naquele momento que minha visão começaria a mudar. Vi uma mensagem patrocinada de um tal Bruno Pinheiro, falando das possibilidades de se montar um negócio on-line de sucesso, e de quebra, trabalhando em casa... Aí que não consegui dormir mesmo, passei a madrugada inteira assistindo os vídeos, lendo os materiais que disponibilizava, e aquele “clic” inicial foi me levando cada vez mais a pensar nas possibilidades que eu tinha pra montar um negócio próprio.

Duas semanas depois desse episódio lá estava eu, adquirindo um curso do Bruno Pinheiro sobre o como montar um negócio on-line passo a passo. Bem, parte do meu tempo já estava começando a ser preenchido. Neste período, minha esposa necessitava fazer uma cirurgia e ainda tínhamos 45 dias de carência do plano de saúde. Ela teve que correr contra o tempo e foi passar alguns dias em Belo Horizonte. Na verdade, esses dias viraram meses, e entre idas e vindas, sua cirurgia foi marcada para final do mês de março.

 

Durante estes dias, foi necessário que eu controlasse as rotinas da casa: preparar o café, fazer as compras de supermercado (materiais de limpeza, frios, mantimentos, açougue, etc), pagar contas de luz, água, telefone, escola, imóveis, coordenar atividades de rotina da casa como preparar almoço, lavar louças, buscar minha filha na escola, levar no inglês, aprender a cuidar da piscina, lavar roupas, orientar a diarista duas vezes por semana, enfim, cuidar de questões que há anos não faziam parte da minha rotina.

Foram dias de adaptação e para falar a verdade, aí que não conseguia dormir direito mesmo... Mas foram dias essenciais para que eu pudesse me situar no ambiente e entender quais eram minhas reais alternativas e o que eu realmente tinha de concreto para ter como meta para os próximos meses.

Posso afirmar que aqueles dias, quase solitários, pensando em possibilidades nada concretas e com nenhuma meta atingida, nenhuma reunião diária de acompanhamento da performance da produção, foram os dias mais importantes para que eu realmente iniciasse um processo de auto análise. E foram naqueles momentos de “lava louça todo dia” que realmente percebi o quanto tempo perdi não considerando as pessoas que estavam à minha volta me apoiando de forma incondicional.

Entendi o quanto eram especiais e que continuariam a me apoiar independentemente de qual cargo ocupava nas empresas onde trabalhei. Poder ajudar minha família naqueles momentos foi algo especial e de concreta relevância para as próximas etapas na consolidação do meu plano de retomada.

Sinceramente, me senti muito útil e participando efetivamente de tudo que se passava na organização e sobretudo nas decisões que girassem em torno das atividades de cada um dos integrantes da família. Isto definitivamente não fora uma das minhas prioridades ao longo dos últimos anos, muito mais preocupado e ocupado em resolver os problemas comuns de mina ou planta de beneficiamento em uma grande empresa da área de mineração.

E de forma impressionante eu continuava a não ter boas noites de sono... Esse foi um início de uma grande jornada em que na realidade serviu para a retomada da minha consciência como ser humano e de como nos tornamos parte integrante da vida das pessoas que nos rodeiam. Parece óbvio, tudo isso, mas isso é uma realidade. Somos acondicionados em uma bolha desde quando nascemos e iniciamos os primeiros passos. Nela aprendemos que só um bom emprego engrandece e faz as pessoas melhores. E se você consegue um bom emprego, com um salário compatível com as suas responsabilidades no fim do mês, garantindo o sustento da sua família, pode se considerar uma pessoa realizada. Definitivamente, se você pensa assim, como eu pensava, PARE POR UM MOMENTO E REFLITA!!!...

Pra falar a verdade, não faziam apenas 19 anos que não tirava um descanso sabático. Na verdade, desde quando aos 10 anos meus pais me disseram que eu estaria indo pra cidade estudar em uma escola com melhores condições, nunca havia parado... mas essa é uma outra história que irei abordar posteriormente.

O mais importante neste período de pouco mais de um mês após a finalização do meu contrato de trabalho, foi a retomada de uma consciência que há muito eu não experimentava e, pra dizer a verdade, não usufruía. Percebi que iniciava ali um período de busca pela liberdade de pensamentos, de análise de alternativas, de possibilidades que pudessem me trazer à realidade cotidiana e acima de tudo que me fizessem valorizar a mim mesmo como ser humano e parte integrante do meio. Um longo e interessante período acabava de ser iniciado. O período da retomada da consciência.

Este assunto não acaba aqui...

Se você gostou deste post, deixe seus comentários e sugestões abaixo, pois adicionarei novas histórias e acontecimentos em breve. Um Grande Abraço!!!

10 Comments

  1. Vander dos Santos says:

    Boa noite Claudio, sou o Vander ,não sei se vai lembrar de mim, mas trabalhamos juntos em Carajás, cheguei no para no final de 2002 e comecei a trabalhar na mina no inicio de 2003 sou la de Ouro Preto. Ainda continuo aqui no Pará na área de mineração ( Mina de Bauxita de Paragominas), Li seu artigo acima e parte do seus relatos estão sendo muito importante e é um espelho para muitas pessoas e principalmente pra mim que estou longe da minha família e dos amigos que cresceram junto comigo. As vezes esquecemos das pessoas mais importantes da nossa vida por causa do nosso trabalho, pensar em atingir metas e metas pois a principal meta da nossa vida está dentro de casa, (a família) . Vamos continuar este bate papo. Você esta morando aonde?

    • Cláudio Freire says:

      Olá Vander! Claro que me lembro meu caro!!! Residindo em BH no momento. Muito Obrigado pelo retorno e vamos nos falando. Grande Abraço!!!

  2. Flavio Roberto de Castro says:

    Cláudio Freire, parabéns pela matéria publicada.
    Você conseguiu sintetizar a rotina extressante desta nossa vida profissional, escravos de celular e Notebook, ficávamos on line, acompanhando o processo e a produção step by step, que somente conseguimos enxergar isto quando estamos fora dela e na maioria das vezes não somos reconhecidos por isso.
    Sacrificando a nossa vida social e familiar, no meu caso por 33 anos, superando nossas metas e objetivos com nossas equipes, através da dedicação e comprometimento de todos.

    • Cláudio Freire says:

      Verdade Flávio! Eu também entendo que todas essas conclusões fazem parte de um amadurecimento que cada ser humano passa em suas diversas fases. Ocorre que na fase adulta e mais criativa, coincidem prioridades e projetos como família e vida profissional, e nem sempre é possível conciliá-las. Para aqueles que conseguem, é realmente uma grande oportunidade de evoluir. Evoluir no entendimento do nosso papel como ser humano. No final das contas estamos aqui para servir. Grato pelo comentário Amigo!!!

  3. JOAO GREGORIO FILHO says:

    CLAUDIO FREIRE: GRANDE AMIGO E COLEGA DA FOSFERTIL, CATALAO. HOJE (MOSAIC) , LEMBRO DEMAIS DO NOSSO TEMPO E DE COMO EU ADMIRAVA A TUA INTELIGENCIA, CRIATIVIDADE E FACILIDADE DE RELACIONAR COM A TURMA TODA. NO MEU CASO, OS ANOS DE EFETIVO NAS MINERAÇÕES, SOMARAM 43, COM A MAIOR PARTE DELES NA PAULO ABIB OU EM OPERAÇÃO DAS PLANTAS DELA,
    GRAÇAS AO BOM DEUS CONSTRUÍ RECURSO QUE ADMINISTRADO DE MANEIRA RACIONAL NÃO ME DEIXARÁ PASSAR NECESSIDADES COMO ME OCORREU NA INFANCIA E EM GRANDE PARTE DA MOCIDADE. DE POSSE DOS MEUS 76 ANOS DE EXISTÊNCIA NÃO ME CONTENTO COM A SITUAÇÃO DE MOROSIDADE NA CONSTRUÇÃO DE NOVOS PROJETOS DE MINERAÇÃO. CERTAMENTE ESTAMOS FAZENDO FALTA PARA MOSTRAR A MENINADA O RUMO CORRETO QUE AS INVERSÕES DEVERIAM SEGUIR. NÃO SOMOS, PESSOALMENTE OS MAIORES PERDEDORES COM ESTA SITUAÇÃO. A PERDA FICA PARA AS GERAÇÕES QUE VIRÃO COM UM DESEMPREGO DOS GRANDES. ME OFERECÍ EM ALGUMAS MINERAÇÕES CÁ DE CATALÃO, NÃO PARA EMPREGO MAS SIM PARA PARTICIPAR DAS INVERSÕES EM NOVOS PROJETOS , POR MENOR QUE FOSSE O TEMPO., . ESCUTEI, COMO RESPOSTA O SILENCIO. SILÊNCIO DA FALTA DE VISÃO.. AONDE CHEGAREMOS? ESTOU AGUARDANDO O TEMPO DAR UMA TRÉGUA PARA ATUAR EM PEQUENOS PROJETOS PRÓPRIOS. UM GRANDE ABRAÇO.

    • Cláudio Freire says:

      João Gregório, guardo com muito carinho o início de minha trajetória profissional. Nessa época tive o prazer de conviver e aprender com vc que o lado humano deve sempre prevalecer acima de qualquer situação adversa ou momento de pressão por resultados. Essa convivência certamente me deu uma base importante, moldando minhas ações e decisões ao longo da carreira profissional e também pessoal. Além disso, vc participou na década de 70, de uma fase importante que direcionou a mineração até os dias atuais, passando por desafios e grandes conquistas. O desafio para os profissionais da mineração nos dias atuais é entenderem o seu papel e suas responsabilidades como agente transformador, promovendo mudanças através das pessoas. Grande Abraço Mestre!!!

  4. JOAO GREGORIO FILHO says:

    MUITO BONITO, O SEU TEXTO, CLAUDIO FREIRE. A LEMBRANÇA QUE TENHO DE TI É DE UM ENGENHEIRO PARTICIPATIVO, INTELIGENTE, CHEIO DE IDÉIAS E MUITO BEM RELACIONADO. VEJO A SITUAÇÃO NOSSA UM POUCO DIFERENTE. OS ATUAIS ENGENHEIROS QUE OPERAM AS MINERAÇÕES NÃO SÃO, SALVO RARAS EXCEÇÕES, CAPAZES DE LEVAR ADIANTE PROJETOS DO PORTE DOS JÁ REALIZADOS EM NOSSO PAÍS. AS GERAÇÕES MAIS VELHAS E COM TANTA EXPERIÊNCIA, POR TEREM SIDO DESPREZADAS DOS ATUAIS GESTORES DEVERÁ , EM POUCO TEMPO ENCONTRAR CAMINHOS ALTERNATIVOS, EMBORA MENOS NECESSÁRIO AO PAÍS.

  5. Jorge Machado says:

    Muito bom Cláudio! Meu filho, minha esposa e eu. Adoramos seu texto. Um grande abraço, fica com Deus.

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