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SERIA O FIM DO MEU “DREAM TEAM”?…
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DO PAREDÃO AO DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA… PREPARADOS PARA MUDAR?
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Era a primeira vez que eu assinara uma carta de desligamento sem a minha iniciativa. Todas as vezes que decidira por sair de um emprego, eu já havia planejado com pelo menos um ano de antecedência, pensado nos prós e contras, estudado possibilidades, analisado propostas, consultado a família, e finalmente tomado a decisão de ir...

Isto aconteceu quando trabalhava na Fosfertil e decidi trabalhar em Carajás, e também após seis anos de região norte, achei que era momento para fechar o ciclo e retornar ao centro do país. No primeiro momento não conseguia entender muito bem o que acontecera. Tudo tão rápido nem deu prazo de cair a ficha... Igual mineiro do interior na capital... “oncotô, poncovô?”... Definitivamente aquela mudança quase repentina não fazia parte dos meus planos. Mas, ao longo dos últimos dois anos, já não me sentia ser 100% parte integrante daquele ambiente, e como relatei anteriormente, já imaginava que isso poderia acontecer e meio inconscientemente, “esperei” o momento da “degola”...

Confesso: foram meses de muita angustia, solidão, pensando em como convencer a mim mesmo ser capaz de suportar aquela pressão interminável por resultados, de receber “fodebacks” que eu não concordava e tão pouco repassar alguns que simplesmente me atribuíam de fazê-lo... Fulano acha que é bom, mas ele não é tão bom assim Cláudio... Ele precisa melhorar... Porque você tem ignorado “ciclano”, Cláudio?!?!... E eu pensava: não eram apenas metas atingidas, eram resultados obtidos, patamares de excelência operacional que eram realidade... Tudo isso porquê uma equipe consciente, unida, dedicada, amadurecendo a cada dia e acima de tudo, comprometida com a nossa própria “continuous improvement”. Aí me vem esses caras me dizerem esse monte... “P@#$ que Pa*¨%!!!”... Meses antes havia tomado a decisão de continuar lutando contra a correnteza... O que era bastante contraditório, como ir contra o que não concorda e fazer parte do fluxo ao mesmo tempo?...


„Passados alguns meses após a minha saída, pude perceber que há sim momentos exatos para encerrarmos um ciclo de trabalho e recomeçar em um outro projeto. Talvez fosse naquele mês de janeiro de 2015, em que me veio a ideia de elaborar um relatório contando a nossa história nos últimos 3 anos. ”

Após mais de um mês de levantamentos, análises comparativas do “Antes x Depois” envolvendo os pilares de RH (Recursos Humanos), Segurança/Saúde Ocupacional, Meio Ambiente, Relacionamento com Comunidade, Produção/Custos e Melhoria Continua, um dos coordenadores da nossa área, por sinal grande pessoa e profissional que tive o prazer de conhecer, conviver e aprender, me disse: “Caramba Chefe!!! Não imagina que havíamos feito tanto durante este período...”. De fato, pouco gente leu e me retornou com seus comentários. Apenas meu chefe na época, elogiou bastante a metodologia aplicada e a forma como foi estruturado o relatório. O que foi o bastante, diga-se de passagem... e, definitivamente aquele era o momento de fechar o ciclo!!!... Mas eu estava vivendo um momento bem interessante. Há muito buscava mais equilíbrio emocional e de certa forma, também buscava me harmonizar, retomar projetos esquecidos e isto sem dúvida envolvia as pessoas ao meu redor. Este é um assunto que irei abordar posteriormente. No final de 2014, após analisarmos juntos em família, decidimos ser um bom momento para adquirir uma casa própria em Paracatu, e assim o fizemos. E foi exatamente por buscar esse momento e de achar que os projetos profissionais e pessoais caminhavam em consonância, que me permiti aceitar o desafio de continuar a conviver naquele ambiente que a cada dia se tornava mais hostil e desgastante...

 

Havia também uma outra questão envolvida e que a meu ver, depois da autoanálise, foi fundamental para que em tentasse permanecer...

O sentimento de “direito adquirido, carregando uma “miopia” sobre a sua capacidade de reverter cenários negativos, resolver situações de pressão e consequentemente tomar as decisões certas. Mas, “todavia, contudo entretanto” as decisões também podem ser equivocadas. O fato de eu como gestor da área ter a certeza de que fazíamos um excelente trabalho, acreditar que as coisas caminhariam conforme nossa vontade e decisão. Mas quanto a isso não há garantia... Principalmente por um único motivo, este ambiente é exclusivamente constituído por pessoas, e sem trocadilhos, “cada cabeça é uma sentença”... Mesmo com todos os resultados expressivos e nossa sólida trajetória, uma questão era clara, nossa equipe ainda tinha muito a amadurecer.

Mineração e Natureza em projetos de Mineração Imagens sempre marcantes!!! Esta, de Paracatu/Minas Gerais/Brasil

Foto oportuna da amiga Edna Leão em algum dia de verão em 2006... Mina de N4E/Carajás/Pará/Brasil


 

Um outro ponto a se considerar: se eu decidisse sair por conta própria, onde ficariam meus direitos adquiridos, minhas indenizações trabalhistas, de alguma forma deveria ser recompensado. Não que isso fosse a parte crucial, mas de fato me ajudou bastante no período posterior ao desligamento. E mais, o mercado sinalizava há alguns anos uma retração jamais vista desde quando concluíra meu curso de engenharia de minas em 1995... Então, teria que engolir os “sapos” até o momento final da “execução”, “degola”... No momento da minha saída disse ao meu já ex-chefe: “Isso é um alívio!!!”. E definitivamente foi um alívio... Durante minhas análises conclui que nossas experiências servem como base para a nossa evolução seja ela no campo profissional ou pessoal.

Momentaneamente, confesso ter alimentado um sentimento de perda do meu “Dream Team”, mas posteriormente e num prazo bem curto, conclui ser também o fim de uma jornada de muito aprendizado. Verdadeiramente, antes da minha saída, já não me sentia atraído pelo “algo novo”, pela paixão que toma conta de nossa vida cotidiana e que nos faz acreditar que é possível construir um “Dream Team” a cada ciclo de experiências que nos permitimos abrir.

Um ponto importante, no momento há em mim um desejo de que os sentimentos de posse sejam cada vez mais escassos e nossa proposta seja partilhar experiências, adquirir conhecimento, contribuir para o nascimento, crescimento e amadurecimento de infindáveis novos “Dream Teams”. E o momento da “degola” sempre chega, como de fato chegou no dia 12 de fevereiro de 2016. No meu caso, veio também a possibilidade de explorar uma rotina e uma vida cotidiana que há muitos anos eu não me permitia, além de poder enxergar conexões com o inesperado, me convidando a novas experiências de vida. E é sobre essa experiência que irei falar no próximo post.

Este assunto não acaba aqui...E que fique bem claro, não tenho intensão nenhuma de expor pessoas, mas sim, poder compartilhar com você caro leitor, a possibilidade de refletir e de repente, mudar o rumo de suas decisões, ações e resultados.

Se você gostou deste post, deixe seus comentários e sugestões abaixo, pois adicionarei novas histórias e acontecimentos em breve. Um Grande Abraço!!!

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