Uma Reflexão sobre o papel do profissional de mineração nos dias atuais

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CORES DE UM BRASIL MINERAL
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“Em janeiro último fui convidado a participar da solenidade de colação de grau dos formandos em Engenharia de Minas da Finom/Cidade de Paracatu-Minas Gerais onde propus uma reflexão sobre o papel do engenheiro de minas e profissionais que atuam na área de mineração nos dias atuais.”

 

Há exatos 20 anos atrás tive a oportunidade de discursar como orador da turma de formandos em Engenharia de Minas da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto. O contexto em que vivíamos naquele momento era de muita insegurança, pois o país recém atravessava um longo período de crise política e econômica muito grave onde o presidente da nação tinha sido deposto de suas funções através de um delicado processo de impeachment.

O momento em meados da década de 90 era sem dúvida de muita apreensão, mas o país ensaiava uma reação através de estabelecimento de um plano de retomada da busca pela estabilidade política, econômica e diminuição das desigualdades em um país tão marcado pelas injustiças sociais. Apesar da grande incógnita sobre o nosso futuro, o que prevalecia era um clima de muita esperança em dias melhores, principalmente para nós, os mais novos engenheiros de minas, lançados ao mar do mercado de trabalho, que certamente refletia toda a incerteza vigente naquela época. Poucos de nós tivemos a chance de apossarmos do diploma e iniciarmos de imediato nossa carreira profissional. Tivemos que esperar, 6 meses, 1 ano, ou até mais…

Pois bem meus caros colegas, cá estamos em 2016 e nos encontramos em situação tão delicada quanto há 20 anos atrás… Mas, o que podemos tirar como lição aprendida ao longo deste período recente e que possa nos guiar em um caminho com poucas alternativas? Que atitudes devemos ter como cidadãos no atual cenário?

A primeira palavra que me vem à cabeça é: Otimismo.

Apenas como simples exemplo, ontem lembrei-me de uma aula que tivemos com o professor José Tomaz em 1995, recém chegado de um doutorado na Escola de Minas do Colorado nos Estados Unidos. Nesta aula, pudemos observá-lo trocar mensagens escritas com um de seus colegas lá no outro lado do mundo, utilizando um computador. Era a chamada internet que chegava ao Brasil através de grandes corporações, públicas ou privadas… Foi um momento inesquecível!!!

E o quanto evoluímos, hein? Apenas citando alguns exemplos: tivemos informação mais rápida, telefone celular, avião e automóvel mais acessíveis, viagens pelo Brasil e ao exterior, diminuição da inflação, estabilidade econômica, casa própria, TV paga, Smartfones, Smart TVs, universidades mais acessíveis, Enem, Globalização, acesso a produtos importados, aumento das exportações de grãos, matérias-primas, valorização da moeda nacional (o Real…), mais empregos, avanços tecnológicos, entre outros inúmeros exemplos…

Mas, e o que não deu certo no Brasil e no mundo? Crise econômica mundial, corrupção, doenças infectocontagiosas, desigualdade social, guerras, fome, degradação de setores básicos como educação, saúde, segurança, retorno da inflação, desemprego, crise política, desastres ambientais, aquecimento global, tsunamis, terremotos, crise energética, falta de água…

E o que tudo isso tem a ver com otimismo? Não lhes parece estarmos no mesmo patamar de 20 anos atrás? Podemos afirmar veementemente que não caros colegas e é por isso que devemos encarar os desafios atuais como muito mais otimismo e com a segurança de que estamos trilhando um caminho certo e, sem dúvida, um caminho sem volta. Individualmente ou coletivamente, não podemos nos furtar de utilizarmos o conhecimento adquirido e as experiências vividas devem nos inspirar a tomarmos decisões cada vez mais conscientes e tragam acima de tudo o bem estar de nossa sociedade.

E qual é o nosso papel como Engenheiros de Minas atuantes neste contexto atual? Nosso papel como cidadãos é batalhar incessantemente por um presente mais equilibrado e que se preocupe com as gerações futuras. Sem a sustentabilidade ambiental não temos como seguir adiante. Não há progresso sem respeitarmos o meio em que vivemos e sem priorizar o equilíbrio entre as vertentes econômico-financeira, ambiental e social.

Nossa responsabilidade, nobres engenheiros é mostrar o valor que esta profissão tem para o país e para o mundo. Devemos demonstrar que sem a exploração dos recursos naturais em busca de comida e abrigo, a evolução do homem enquanto sociedade organizada não teria se firmado em bases sólidas transpondo as barreiras do desenvolvimento humano ao longo da história. Somos reflexo de um movimento que nossos ancestrais em busca de sobrevivência, trilharam caminhos diferentes, exploraram continentes, multiplicaram-se, transpuseram oceanos…

Temos o dever de demonstrar com orgulho que nossa profissão foi, é e sempre será parte desta base sólida. Posso citar aqui alguns exemplos de minerais que impulsionam o desenvolvimento da sociedade ao longo de sua história: ferro, cobre, prata, níquel, estanho, fosfato, manganês, alumínio, diamante, pedras preciosas, argila, rochas ornamentais, areia, calcário, caulim, nióbio e por aí vai… Sem a mineração não temos como utilizar um simples aparelho de celular, andar de automóvel, construir uma casa, assistir televisão, acender uma lâmpada.

Mas do que adianta promovermos o crescimento econômico que uma atividade de mineração proporciona a uma sociedade em que atua se ela não estiver baseada em pilares sólidos do desenvolvimento sustentável? Onde há mineração há grandes investimentos e isto deve ser refletido no desenvolvimento da sociedade em que este empreendimento está inserido. Seja ele de pequeno, médio ou grande porte a mineração tem sua participação reconhecida na economia brasileira e mundial.

Neste contexto, estejam preparados para alçar voos maiores e mais distantes, mas também estejam preparados a tomar decisões pautadas na ética e na valorização da vida humana. Por muitos séculos a mineração promoveu o crescimento econômico sem se importar com os valores sociais, culturais e ambientais e isto custou muito caro, trazendo uma reputação e uma imagem extremamente negativa onde o que se olha são as marcas deixadas pelo desenvolvimento de uma atividade irresponsável que não primou por controlar os impactos, sejam eles sociais, culturais, financeiros e ambientais. Estejam firmes para dizer não à ganancia e à falta de respeito a vida humana. Se tomarem uma decisão em um sentido contrário, saibam responder pelas consequências que poderão custar até mesmo, além do impacto ao meio ambiente, a perda de vidas humanas, seja ela por uma condição inadequada de trabalho ou um dano irreparável ao meio ambiente.

Nos tempos atuais, nosso maior desafio é levar ao conhecimento de toda uma sociedade que somos sim importantes, não pelo que fomos até o momento, mas sim pelo que seremos a partir de hoje.

Aquele que quiser uma mineração possível no futuro, deverá semear no presente a cultura da responsabilidade, da ética e do respeito e valorização da vida. Estejam conscientes e preparados. Sim, meus amigos, é possível ser otimista e acreditar em um futuro melhor para nós, nossa família, nossa sociedade.

Finalizando, caros colegas, não posso me furtar de citar o papel importante que a família exerce na nossa formação. Ela é o alicerce de tudo e molda nosso comportamento ao longo de nossa vida. Além do incentivo ao estudo, os pais, esposas, esposos, filhos, familiares de cada um aqui presente, merecem nosso aplauso e reconhecimento.

Neste sentido, todos nós que formamos esta sociedade temos o dever e a responsabilidade de buscar enquanto cidadãos de Paracatu e região, mais recursos e melhores condições sociais, ambientais exigindo atuação séria de todos os órgãos e entidades pública ou privada. A cidade de Paracatu tem participação histórica na consolidação do Estado de Minas Gerais, e como o próprio nome já diz, um estado minerador na sua essência.

Que sigamos com o Otimismo, pois ele nos trará a oportunidade de romper com o ceticismo e assim podermos mudar o rumo do nosso próprio destino e da sociedade em que vivemos, transformando-a de forma positiva e duradoura.

1 Comment

  1. Mr WordPress says:

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