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DO PAREDÃO AO DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA… PREPARADOS PARA MUDAR?
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VOCÊ REALMENTE VAI RECUSAR UMA PROPOSTA DE EMPREGO?
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Após aquele período inicial de adequação à nova realidade, já me sentia quase ambientado ao novo estilo de vida. Nos posts anteriores vc pode entender como foi esta fase transitória e como aquela lista inicial de ações e atividades me ajudou.

R esolvi me dedicar à organização de itens que há anos estavam na fila de espera. Um desktop foi a primeira vítima desta arrumação e comecei por organizar meus arquivos pessoais e profissionais. Só aí percebi quanta informação armazenada de forma inadequada eu tinha acumulado ao longo de quase 20 anos. E olha, deu muito trabalho organizar tudo... A gente passa horas e horas na labuta, revisando informações do backup de 2008 que foi parar nos arquivos de backup de 2013, que por sua vez estava duplicado e armazenado no backup de 2009... Credo!!!

E nada de aparecer resultado... Cadê a produção?!?!... Imaginem a minha decepção... Eu estava acostumado com um ritmo frenético do ambiente produtivo e durante anos me acostumei com aquela comodidade de gerente perguntar algo e logo algum colaborador seu lhe trazer a informação com presteza e agilidade. Sem falar da boa vontade de todos os seus colaboradores que se desdobram para lhe atender e entender, principalmente nos dias em que a produção ou um acidente demandam explicações, análises, relatórios, etc, etc...

Enfim, não estava acostumado com aquele ritmo de processamento das informações tão lento, a começar pela internet “cibersofrência”...

Por mais que eu tentasse esquecer a situação pós desligamento, tanto meu corpo quanto minha mente estavam muito condicionados àquele esquema tradicional de trabalhar 12 horas por dia, e na função de gestor, recebendo informações, processando, analisando, tomando decisões, viabilizando projetos, interagindo com toda a corporação de maneira acelerada e ao mesmo tempo estimulante

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„Sinceramente, um choque de velocidades... E aquela internet era persistente... Bem, com o tempo percebi que não conseguiria sair daquela “encrenca” tão cedo, e mesmo contra a vontade, resolvi relaxar... ”

 

A lista de afazeres só aumentava e no final do segundo mês eu já tinha evoluído bastante, mas também aumentava a gama de possibilidades...

Então decidi manter uma rotina que já havia estabelecido desde 2014. Considerando o histórico dos últimos 02 anos, tinha levado a sério uma dieta e com o apoio da nutricionista da empresa, consegui reduzir 10kg do meu peso e mantive uma “rotina” semanal de musculação e natação. Enfim, não poderia me furtar de continuar naquele ritmo, sem falar que sempre fui adepto aos exercícios físicos. Então, era hora de manter a pegada!!!... Bem, resolvi experimentar o horário da manhã. A gente acorda descansado e com disposição para gastar energias, e as academias neste horário, têm uma frequência menor e o público também é diferente, mais maduro, geralmente profissionais com horários mais flexíveis. E é claro, mães que encontram um tempinho para, entre uma tarefa de casa e outra, exercitarem-se.

Esse clima mais amistoso, me permitia prestar atenção em alguns detalhes que normalmente não enxergava. Árvores, detalhes do trânsito, casario do centro de Paracatu, pessoas na rua iniciando suas jornadas de trabalho no comércio, pais, ou melhor, na maior parte, mães deixando seus filhos nas escolas. Os pais estão sempre ocupados com suas máquinas produtivas e, claro, quase nunca têm tempo para essa atividade, salvo poucas exceções...

„Aprendi com minha esposa, que saborear um café, de preferência sem açúcar ou adoçante é aproveitar o momento... Sabe aquele café que vc sente o aroma tomando conta logo de manhã, quando os primeiros raios de sol batem na casa e se consegue ver o caminho da fumaça que exala da xícara?...”

E a vida ia se entremeando nessa nova rotina, padaria, supermercado, açougue, controle das datas das contas a pagar, lista de ações para projetos de retomada da vida profissional, viagens a Catalão para ver minha mãe de forma mais frequente, etc. E não é que comecei a gostar dessa vidinha?!?!... Se bem que a “cibersofrência” continuava a me tirar os poucos fios de cabelo que ainda me restam... Os contatos que fiz com universidades surtiram efeito, e a Faculdade do Noroeste Mineiro me convidou para ministrar 5 cursos para o curso de Engenharia de Minas... Confesso, fiquei meio balançado com a proposta... Mas, conferi as disciplinas, pensei bem, e resolvi ficar com apenas uma, a de Lavra a Céu Aberto. Foi a decisão mais acertada que tomei naquele início de temporada pós “paredão”... Dias depois entendi... Se tivesse aceitado teria ficado maluco... Mesmo com apenas 01 disciplina, tive que estudar muito, buscar informações, preparar material, pesquisar, me atualizar. Enfim, esta decisão viria me resgatar algo muito importante, o prazer de compartilhar uma informação que possa influenciar positivamente a vida de uma pessoa e neste caso, dos meus alunos. Esta é, sem dúvida a razão principal de estar escrevendo os meus textos...

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No passado eu tive algumas experiências como professor, mas é como reler um livro 30 anos depois... A interpretação é diferente. Temos as experiências vividas, que por sua vez, nos auxiliam a enxergar um detalhe, uma abordagem, um significado diferente para cada situação. E esse clima de “Novidades” começou a me contagiar de uma maneira inesperada...

 

Nesse meio tempo, lá pelo final do mês de Abril, eu já estava bastante envolvido com o curso de marketing digital e me preparava para participar do evento NOS – Negócio On Line de Sucesso, no final de maio em São Paulo...

Essa gama de novas experiências aos poucos foi me transportando para um universo quase paralelo, e quando percebi, do terceiro para o quarto mês após o meu desligamento, eu já usufruía de inúmeras possibilidades, inclusive retomar minhas atividades artísticas... Aquilo definitivamente, não era algo programado e passo a passo fui me aventurando em uma nova perspectiva. A perspectiva do NOVO.

Nessa época surgiu uma oportunidade para retornar ao mercado de trabalho, mas de fato participei do processo quase que por impulso. Era uma vaga para gerente de operação de mina de uma grande mineradora, e eu conhecia todas as demandas, desafios da função e sabia o que fazer para iniciar, desenvolver e concluir um trabalho de organização da equipe e dos processos. Sem falsa modéstia, era minha praia...

Mas, sinceramente, não estava convicto de que retornar era a melhor opção naquele momento. Porque deveria retornar a fazer exatamente o mesmo? Como exposto nos textos anteriores, meus últimos anos foram de muita agonia, um processo de inquietação permanente, que me levou a um estado quase estático e zero estímulo para continuar a conviver com aquele ambiente.

Existem algumas situações em que é realmente importante pararmos e analisarmos se nossa decisão realmente irá trazer benefícios. Como diria um amigo meu, resolvi adotar uma “estratégica”... E pela primeira vez na minha vida profissional, declinei de um processo no momento em que poderia simplesmente dizer sim e seguir naquele velho esquema...

Não pense vc que foi uma decisão fácil, porém foi bem rápida. E sem aquele sentimento de ter perdido algo e que poderia me arrepender no futuro. Muito pelo contrário, a nova rotina de afazeres domésticos, flexibilidade de horários, aulas na faculdade, curso de empreendedorismo digital, meu projeto Cores de um Brasil Mineral, o convívio com minha família, toda essa gama de novidades me fez ter a certeza de que apesar de desconhecido, eu queria e quero correr o risco de trilhar um caminho desconhecido até então.

Nesse caso eu te pergunto: Estamos realmente abertos para usufruir do algo novo, daquilo que começa a te mover e mexer na sua zona de conforto, aguçando a sua criatividade e lhe trazendo reais possibilidades de mudança? Ou preferimos a velha e conhecida zona de conforto?... Eu prefiro e priorizo, no momento, continuar a trilhar o mesmo caminho que me moveu a um dia escolher um curso de engenharia de minas e ir morar em Ouro Preto. É o" desafio do algo NOVO. Mas cá pra "nóis", com “sofrência cibernética” não dá, não é mesmo?!?!... rsrsrs

Se você gostou deste post, deixe seus comentários e sugestões abaixo, pois adicionarei novas histórias e acontecimentos em breve. Um Grande Abraço!!!

6 Comments

  1. Diego Nicolau says:

    Cláudio, mais uma vez gostaria de parabenizá-lo e agradecê-lo não só pelo texto, mas principalmente pelas reflexões que você tem trazido para o meu dia a dia. Imagino a dificuldade em enfrentar o novo. Mas tento imaginar também a gama de aprendizados que isso pode nos trazer. Um forte abraço e muita sorte em sua caminhada rumo a zona de desconforto, aquela que nos faz mover rumo a satisfação pessoal, evolução espiritual e qualidade de vida ao lado daqueles que realmente nos amam.

    • Cláudio Freire says:

      Muito Obrigado Diego De Arvelos Nicolau!!! Realmente um grande desafio… a gente trabalha mais, sua casa se resume a uma mala , mas o prazer de conviver com essa caos organizado me aproxima cada vez mais das pessoas, por mais contraditório que isso possa parecer… Um amigo esta semana me disse, “parece que vc está conseguindo algo prazeroso e divertido… Na verdade, isso tudo depende do modo como encaramos os acontecimentos à nossa volta… Otimismo sempre e como diria meu Mestre Ronald Sena: “De um limão uma limonada”… Grande Abraço e que seja divertido e prazeroso pra todos nós!!!

  2. Cristina Amaral says:

    O exercício de sair da zona de conforto realmente mexe visceralmente e a forma como você descreve sua experiência é bastante motivadora e estimulante. Parabéns!

    • Cláudio Freire says:

      Sabe Cristina, esse exercício aflora claramente quando me lanço na elaboração de um texto. Não há espaço para uma análise centrada apenas na minha visão, da forma como me enxergo ou como me sinto diante de uma dificuldade, um desafio. É uma linha tênue, um fio de navalha que me leva ao desconforto de saber que a conclusão nem sempre irá me agradar, mas que me conduzirá a um nível de consciência maior e de atitudes acima de tudo, equilibradas e que me distanciarão da tendência natural de me colocar na posição de vítima das minhas próprias decisões. Obrigado pelo incentivo!!!

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